terça-feira, 22 de maio de 2018

Hoje lembrei-me disto


O Pintrest devia estar na lista de substâncias aditivas. É só uma opinião. Uma pessoa inscreve-se, começa por ver uns padrões de crochet porque ai tanta coisa que eu gostava de fazer, segue pelo ponto de cruz dado que ai que giro, dava uns quadrinhos tão ricos, entretanto o bicho já começou a recomendar crafts porque está tudo relacionado e uma indivídua lá abre mais um álbum, entretanto a criatura lembra-se que até vai remodelar uma casa de banho, e se pesquisasse um bocadinho, da realidade passa-se para o ai gostava tanto de também ter uma cozinha nova e lá estamos nós, à desfilada, e nem dois anos depois já temos quase duas dezenas de álbuns, uns deles já organizados com até nove secções, e os pins em si, bom, não conto, que ainda tenho vergonha. E consome tempo em que podia estar a pesquisar novos pins. Hihihi.

Mas e as coisas giras que se descobre. hein?



Alguma semelhança com a (actual) realidade de algumas cabeças é pura coincidência.
(comunistajjjjj...)

quarta-feira, 16 de maio de 2018

The Cat Diaries (14) We Have to Talk About Max

E o mai'novo, hein? Ainda é vivo? Ou andas aqui a apregoar uma felinilusão de felicidade quando, na verdade, felimãe negligente e imprestável que és, às tantas o bicho não te sobreviveu nas mãos.

Não, não, Max é vivo - e nota-se - e é Mad, Mad as hell, Mad as a hatter, e não foi por inalação ou contacto com chumbos ou o caneco.
Mad Max vive e gosta disso. E de o demonstrar. Basta o anúncio do nascer do dia, a mais fina réstia de luz, e lá está ele, a anunciar alegria de viver. Não, não se dorme, naquela casa. Não podemos, não estamos autorizados; pelo menos antes de algum de nós vencer o estupor do sono e levantar-se, por o bicho fora do quarto, e fechar a porta.
Ah, tanta queixinha, então porque dormem de porta aberta?
Porque situações.


Designadamente aquelas de ele gostar muito de dormir enroscado aos pés da cama, e ninguém resiste, a menos que tenha uma pedra no lugar do coração.
Ó a coija ma'boa, a mimir.



A sério, o bicho é uma delícia, uma fofura. A menos que esteja naqueles momentos de profunda euforia, que são cerca de 75% dos que passa acordado.
Nos restantes 25%, vai-nos receber à porta de casa com marradinhas e roçadelas, adora festas e miminhos, aceita colo e beijinhos no cocuruto, é um guloso que não vira a cara a petisco nenhum, uma companhia adorável.

De repente, dá-lhe a loucura de existir, e está a saltar para cima da bancada da cozinha enquanto alguém tenta preparar uma refeição (posso gabar-me de ser uma pro em pô-lo a andar sem comprometer a higiene de mãos e alimentos; quanto à bancada, bof, não se poisa lá nada que tenha como destino a boca humana, para isso servem as tábuas). Felizmente já lhe passou a mania de saltar para a mesa enquanto jantamos ou pequeno-almoçamos, dêmos graças pelas pequenas bênçãos.
Mas a fruteira continua vazia, sob pena de não haver pêra ou maçã que escape a uma jogatana e venha a ser encontrado num recanto qualquer. Até as malaguetas, jesussenhor, até as malaguetas serviam para a brincadeira (dica da semana: aquelas caixinhas plásticas com fechos de pressão - onde também são guardados os biscoitos catisfaction: menino conseguiu, à força de dente, rebentar duas embalagens e esvaziar o interior. ainda experimentámos um tupperware pequeno, mas nã: sua excelência jogava-o ao chão, abria-se, e banquete. mais esperto que a encomenda.). A nossa vida passou a ser isto: todos os dias entrar em casa e ter uma surpresa à espera. E estas são só as de cozinha.

Porque há as outras. E a verdadeira prova de amor, isto é, o ficar bem assente que gente gosta mesmo, mesmo do bicho, e não há nada que faça que o destine ao tacho? O momento em que ficou claro, clarinho, que não vai ser transformado em estola em consequência de fúria com justa causa? O instante em que percebi que pronto, é mesmo assim, é ter paciência, coerência, insistência na educação, e dias melhores virão? Que não é defeito, é feitio, e podemos trabalhar com isso? Que pronto, 'tá bem, fez esta, é muito mau, mas vou ali enrolar-me em posição fetal e gritar para dentro?

Não, não foi com a insistência em jogar os meus óculos de sol do alto do camiseiro para o chão (passei a poisá-los noutro sítio).
Não foi o planticídio de quase toda a espécie envasada lá de casa (é por os vasos em locais mais altos, e alguns, trazer aqui para a chafarica onde trabalho).
Não foi a mania de, quando era mesmo um piolhito, a meio da noite passar por cima de mim e deitar-se em cima da minha cabeça, não sem antes cardar devidamente a peruca natural que ainda tenho (já passou, já passou).
Não foi o ser um chato mordedor/arranhador, perito em emboscadas a membros inferiores e superiores, que fez de nós umas autênticas velhotas a comparar mazelas (isso? um arranhão? isso não é um arranhão, já viste a minha canela?)
Não foi acordar-nos de madrugada todos, mas todos os sábados e domingos, alguns deles enquanto raspava a porta do roupeiro, dado que descobriu que yay!, é divertidíssimo andar lá dentro a brincar ao esconde-esconde entre pernas de calças e mangas de camisas.
Não foi o ter de esconder todos os carregadores porque, atenta a sua semelhança com fitinhas, acabavam promovidos a brinquedo de perseguir, chutar, mastigar.
Não foi o facto de ter (quase) desistido de usar saia, porque Sua Ruindade achava graça saltar e pendurar-se nas bainhas, ou atacar as pernas já revestidas de collants (hoje vesti. nada a relatar. ufa).
Não foi o ter de me lembrar de só colocar echarpes ou cachecóis só à saída, e tirá-los à entrada, porque fitas, ver supra, imaginar a loucura.
Não foi aquela vez em que, observando me mate a por a gravata (vide assunto fitinhas), lhe saltou ao lombo e rasgou uma camisa (nova, por sinal).
Não foi ter descoberto que roeu o cabo de internet que liga ao portátil.
Não foi o termos, tantas, tantas vezes, uma série ou filme interrompidos porque o demonico resolveu brincar atrás do móvel da tv e desligou o cabo.
Não foi o enésimo rolo de papel higiénico destruído, nem o facto de termos de fechar sempre a porta da casa de banho, e, nunca fiando, deixar o rolo escondido.
Não foi o dar cabo da paciência à Scully com emboscadas constantes (acho que já percebeu que não, não se faz. vá, já não é tão frequente).
Não foi os vasos partidos por estarem no caminho de corridas e saltos, não foi a terra fora dos ditos vasos e o constante varrer da varanda, não foi o ter de encontrar uma solução para não chacinar (também) todas as plantas da varanda.
Não foi o ter roído a minha capa do telemóvel, arrancando ali 1 cm2 da dita; não foi eu ter mandado vir outra capa, que chegou numa sexta (recordo vivamente) em que logo procedi à substituição, para no dia seguinte, logo de manhã, descobrir suaves e ternas marcas de caninos na nova capa.
Não, não foi nada disto.

Foi aquele dia em que percebi que aquele som, aquele que por vezes ouvíamos quando ainda tentávamos - debalde! - roubar mais uns minutos de sono, aquele som que não era bem igual ao raspar no arranhador, mas era tão parecido que, vá, se calhar era na pelúcia da plataforma do arranhador, não era, de facto, causado por unha no dito arranhador. Aquele som, que ainda hoje me persegue, me assombra, aquele réc! súbito, aquele som era um estertor agonizante do cortinado*.
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A sério, se eu não o matei nesse dia, não mato nunca.

Mas quando se porta bem (já disse?) é tão fofinho, tão querido. Ó.


*graçádeuz são cortinas duplas, e a mais grossinha, de seda, é forrada; Sir Unhaifas não atingiu o tecido. a mais translúcida, uma rede fininha que pelos vistos estava mesmo a pedi-las, nem a alma se aproveita. eu gostava mesmo daquele conjunto de cortinas. suspiros. choro. soluços.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Passa-se que



Depois de uns dias em que pude andar com o meu trajo preferido de camisa-calça-sapato ou, na versão fim-de-semana, camisa-jean-téne (sou originalíssima, já sei, mas ainda acrescento o pormenor tchanam de uma echarpe, hã), tenho outra vez frio, e voltei ao casaquinho de malha. Chugs.

A Rua de Angola continua fechada, e faz-me muito transtorno. Principalmente porque continuo a esquecer-me que a Rua de Angola está fechada, e a insistir a entrar no bairro por ali. A sair lembro-me, vá lá, mas a alternativa, também, venha o diabo e escolha.

Continuando bairrista, ainda não consegui averiguar se foi a churrascaria Cova da Beira que ardeu ou outra coisa lá ao pé. A minha velhota cusca interna anda que nem pode.

Falando em velhota, nunca mais vimos a senhora e respectiva cadelinha com que nos cruzávamos todas as manhãs. Tomara esteja(m) bem.

Finalmente, depois de mais de um mês a adiar a coisa porque ir a superfícies comerciais comprar grandes electrodomésticos dá-me seca, já se tratou da máquina da loiça e, aproveitando, da roupa. Foram 17 anos de bom serviço, paz às suas almas. O chato é que os senhores que foram entregar, recolher e instalar avisaram que aqueles canos de escoamento, nã, muito provavelmente não aguentam a pressão destas máquinas novas. Ou seja, o esfregão e fairy continuam a uso, e ainda bem que fizemos máquinas de roupa no fim-de-semana. Double chugs.

Voltando às vantagens bairristas, o que vale é que me lembro, assim de repente, de três lojinhas de bairro onde simpáticos prestadores de serviços tratam destas merdinhas. Yay.

No tema de máquinas de 17 anos, recordo que, quando há 15 fui para ali, as pessoas que calhava quererem informar-se do meu novo local de habitação tinham uma não entusiástica reacção do tipo "aahhh... moras aí???". Actualmente, parece que a zona foi promovida a "centro histórico", e tenho de estar mazé caladinha e não me queixar se foi invadida de alojamentos locais, turistas de pé descalço, muito mais lixo, trânsito, o infernal barulho de rodinhas na calçada, e alegres confraternizações ébrias de magotes de visitantes. Sim senhor, mais reabilitação, duas lojas auchan, um lidl todo remodeladinho e bonito, as pessoas já dizem "Ah! Moras aí!", mas,ainda assim.Diz que é o mercado, e traz dinheiro, mas ainda não consigo perceber como é que um andar alto, sem elevador, a precisar de remodelação total, se vende a muito mais do que custou mi casita. E haver ali perto um último andar (grandito, verdade, mas... último. andar. escadas.) a mais de um milhão é coisa para me deixar perplexa. Uns dizem progresso, eu respondo bolha, vamos ver quem tem razão. Sinto-me uma irredutível gaulesa, cercada de romanos, e a recusar capitular. Sem poção mágica.

Ah, tenho um AL no andar de baixo. Primeiros hóspedes asiáticos, nem se dava por eles. Aguardo impante e com ansiolíticos de reserva os hunos. O que vale é que temos mangueira. E cocó de gato com fartura. Guerrilha urbana, o último recurso do habitante (d)esquecido e ostracizado. Afinal, talvez tenha poção mágica.



quinta-feira, 3 de maio de 2018

[resumidamente]


Desde quinta/sexta passada a rapar frio, e a fazer de conta que tudo bem. Não, não vou ligar radiadores em Maio. Mas já voltei ao casaquinho de fazenda.

Membros de partido que devia ter melhor orientação moral começam a admitir, publicamente, que não, não é ok que uma pessoa que exerça cargo público de governação viva de "mesada" dada por terceiros, nem por um acaso com valentes interesses privados. Demorou, hein? Chiça. Mas olhem que eu não esqueço estes anos todos a assobiar para o lado.

Lisboa está impossível. Já não punha os pés na Baixa há meses, mas tive que lá ir uns dias seguidos (trabalho, bof) e fiquei um nadinha (mal) impressionada. Para lupanar não está mal, os fregueses querem lá saber se o circo é genuíno ou a barraca foi montada à pressa e com lona made in China, para lhes agradar. O que ainda me consola é que (até hoje) não vi portugueses a comer pastéis de bacalhau com queijo da serra, ou a comprar conservas naquelas baiucas muito retro-neon que abriram na Rua dos Fanqueiros - e uma delas com um nome perigosamente parecido com o da original. O que também não é novo: a tal dos pastéis com queijo ostentava uma placa que dizia "since 1942", se não me engano, e na Rua Augusta abriu uma pastelaria que responde por qualquer coisa como "Fábrica dos Pastéis de Nata", se calhar a tentar confundir com esta. E, logo ao lado, uma pastelaria que por acaso já existe há décadas, e sempre exibiu uma montra boleira de fazer água na boca, adiante. Tive a breve alegria de ver duas orientais com pastéis da Manteigaria, ao menos estas não foram ao engano. Ao contrário dos muitos totós que ainda frequentam as inúmeras lojas de souvenires a transbordar de imitação rasca de azulejo / cerâmica / cortiça, ou os restaurantes todos pimpões onde podem degustar massas e pizzas congeladas. Fuck them: se não se informam, também não merecem melhor. Já não saio de cá desde 2015, e já não tenho muita vontade. Ganhei vergonha de ser turista. Embora sempre tente portar-me normalmente, não chatear, não atravancar, não incomodar, a verdade é que não deixo de ser barata. Maldita seja esta auto-consciência.

Para acamar e acabar bem, tomei recentemente conhecimento de que existe uma coisa, ou comunidade, ou conjunto de "pessoas" (aspas propositadas) que se auto-intitulam incel, e o que os motiva, o que defendem (ou do que se queixam), e o que reivindicam. Não tinha esta sensação de vómito e sufoco desde que li The Handmaid's Tale, no ano passado. Sim, sim, o feminismo já não faz sentido nas sociedades avançadas de primeiro mundo. Um valente pirete para quem se atreva a viver cego, tendo olhinhos para ver e cérebro para entender. 

quinta-feira, 26 de abril de 2018

E o que é que se faz?

Not much. Fora o trabalho, o soninho, as arrumações de primavera (que já começaram há atrasado, mas, como sempre, a passo de caracol), o estar cansada como se fosse véspera de férias.

Nos entretantos, vai sobrando tempo - uma horita, vá - para, antes da deita, ver qualquer coisa. E o quê, o quê, nossa gurua televisiva (querias)?

No campo do vê-se muito bem, é divertido e dá para mamar dois de seguida, Black-ish, a última temporada dos Simpsons a aterrar na Fox, e espera-se pela segunda parte da temporada 5 de The Goldbergs.

No campo do gostei da primeira, agora vamos lá a ver se mantém a pedalada, Westworld, que, graçádeuz mantém o Jeffrey Wright, um actor do caraças. Não matem o Bernard, por amor da santa.

No campo do vi o primeiro e promete, Barry.



No campo do ai ca nervos, ai não consigo ver, ai que tenho de ver, ai que grandes, grandes nervos, a que acumula um elenco do caraças, uma história do caracinhas, e um ritmo tão mas tão inquietante, The Terror, que deve ser a coisinha ma'boa que já nos passou no tubisor desde há muito.



E é isto.

Entretanto, e porque me mate mal soube começou a bater palminhas como um catraio e eu não sou pessoa de o deixar ir a coisas destas sozinho, vamos ver este velhote lenda (por enquanto) viva:




sexta-feira, 20 de abril de 2018

Where do they all belong?

À conta do tema e cumbersé no post abaixo, musicóles para aqui, musicóles para ali, dei por mim num momento facepalm ao me dar conta que esqueci de mencionar (e com as devidas honras) aquele que é talvez!, quiçá!, o filme musical que mais me influenciou, marcou, emocionou, alegrou, e cujos temas ainda hoje cantarolo tantas vezes nesta cabecita de vento.

Sim, sim, o Yellow Submarine. Não faço ideia da idade que teria quando o vi pela primeira vez, mas era criança, não teria ainda dez anos, julgo, foi de certeza no tempo dos dois canais de tv. Fui levada por um conjunto de factores que eram total e completamente enganosos: desenhos animados + cantoria, ainda por cima dos Beatles (tooooda a gente sabia quem eram os Beatles, tooooda a gente já tinha ouvido uma ou cinco deles, toooda a gente gostava dos Beatles, incluindo a minha heroína de papel, a Mafaldinha). Tinha que ver, e fiquei a ver.

E tau, não era nada, nada o que esperava. Os desenhos, pá, os desenhos animados não eram nada do costume! Mesmo para uma garota habituada a todos os experimentalismos koniec apresentados pelo querido Vasco Granja, e que já levava no curriculum inúmeras visualizações de O Bichinho Gaspar (ainda alguém se lembra deste desenho animado?), a coisa mais fora que já tinha visto, aquilo era muito, muito bizarro. Muito colorido e histriónico, ou como sei agora, psicadélico. Que raios. Mas agarrou-me logo, não sei se graças aos Blue Meanies, se à Glove, dear Glove. E depois aquele pedaço mágico, em que o submarino entra num mundo real de recortes monocromáticos e em movimento aflitivamente repetitivo, e entra o Eleanor Rigby. Céus, alguma coisa acordou e nunca mais adormeceu em mim. All the lonely people. All the lonely people. De onde vêm, onde pertencem. E a música, credo, a música, a coisa mais bela, melódica, una de sempre. Uma sinfonia à e de solidão.


Havia quem soubesse de nós, quem percebesse estas existências. A dos eternamente sós num lugarzinho dentro de si. Que não sabem de onde vêm, para onde vão, onde pertencem. Num mundo de bulício e rebuliço estridente, a constante da solidão.
Parece triste, mas não é. Não é triste que uma garota tão nova soubesse identificar o sentimento, passados todos estes anos sei que não seria, decerto, caso único. E não é triste porque naquela música encontra-se conforto, o calor do reconhecimento. Além de que, apesar de all the lonely people, há uma casa onde um capitão de marinha bate à porta, gritando help!, help!, e onde recebe de resposta thanks, we don't need any. Ainda hoje me rio, só de pensar nessa cena. E há um submarino (amarelo!), uma missão de salvamento - que no caminho também inclui salvar um nowhere man que também reconhecemos e tememos um dia sejamos nós - uma terra de onde foi abolida a alegria e a música, mas esta volta graças à Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, YAY!, os Blue Meanies derrotados. E continuam a ser derrotados, hoje e sempre, nem que seja à força, à bruta, ao estalo. E pode-se sempre começar com esta aqui, do mesmo bando de despenteados. Recomendo vivamente. It's all in the mind, dizia o George no filme, e a mind é nossa, fazemos com ela o que nos apetecer, ora.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Como perder duas horas e oito minutos desta já curta vida

Empenhem-se num acto de fé, daqueles tipo "caraças, havia boas críticas e até foi nomeado", e vejam o La La Land.
Que. Grandecíssima. Seca. E. Refinadíssima. Bosta.

Lá a ver, às postas, pequeninas, a ver se consegue mastigar melhor.

"Ai, é uma história menita e remântica".
Então não é. Está para a complexidade dramática e romântica como aquelas novelas em papel jornal da colecção Arlequim*. Passo.

"Ai, tem o Ryan Gosling e a Emma Stone, e fazem um casal tan menito".
Sim senhora, o Ryan é um belo exemplo do seu género, mas para quem já mostrou do que é capaz em "Lars e e Verdadeiro amor", não sei que lhe deu para se meter nisto. E há pares de jarras também muito lindos, o que não significa que façam uma boa decoração.

"Ai, tu és mazé uma intelequetualoide e não gostas é de musicóles"
Ai não que não gosto. Até mais do que seria decente confessar. Admito: sou uma parolona por musicais. Vem-me de miúda: já vi o "Música no Coração" tantas vezes que nem as consigo contar. E trauteio o My Favorite Things em situações críticas da vida, não necessariamente trovoada, gosto de trovoada. E canto muitas vezes a me mate "How do You Solve a Problem Like Maria", quando ele asneira. E nem me façam lembrar do Mary Poppins, que nunca mais saio daqui. E depois vocês precisavam de uma Spoon full of Sugar para ler o post até ao fim.

"Ai, não percebestes nada, é uma homenagem, um back memory lane, de quando Óliuode era um sítio para sonhar e assim"
Uma homage, dizeis vós? (puxa fumaça do cachimbo imaginário). Ó valhamedeuz. Homenagem era as pessoas conhecerem os clássicos onde este pretende colar, ou, como dizeis, homenagear, para verem que é como oferecer um molhinho de trevos e azedas a quem tem um roseiral. Mas já lá vamos.

"Ai, a música é muita winda, e as cenas de dança também"
Drogais-vos? Ou nunca visteis um musical a sério, foi? Já disse que sou uma parolona (embora não necessariamente uma especialista) por musicais? E que passei muita féria escolar a papar Fred Astaire e Ginger Rogers? Sapatear é isto. E isto, se quisermos avançar para a outra lenda, Gene Kelly. E quereis mais romântico, e com música que, por si só, é um regalo? Então pegai no balde de pipocas e gritai Kelly!, Gershwin! Isto sim, é romântico. E se não amais por aí além a dança, que tal a natação? Yay Esther Williams!
Agora a sério, qual homage?  Amerdalharam os clássicos, isso sim. Ou tentaram, que não se consegue.
E se não sois de lamechices, bom, não falta escolha. Também temos o bizarro. O musical no ácido - e acho que não é só figurativamente - como este (não encontro nenhum clip completo , buá), com a assinatura Brian de Palma. Se quiserem um bizarro mais user friendly, mais icónico e não tão obscuro, bom, é dar uma chance ao Dr. Frank-N-Furter, tão bom, pá.

Até o Chicago, nem que seja pelo Cell Block Tango, dá quinze a zero a este La La Blah.



*sim, eu li uma. por pura curiosidade. gasto muito mal o tempo que me foi dado nesta existência. mas ópois estou habilitada a dizer mal. que estou.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

[ ]


(a trabalhar uma pessoa não chega lá, pois não; sem embargo, submeti hoje a declaração de irs e a simulação de reembolso é muitíssimo animadora. dá para muita carcaça e pacote de manteiga, ó se dá. e toblerones daqueles tamanho jumbo? ui.)

terça-feira, 3 de abril de 2018

Menina não entra

Estava eu aborrecida que dava dó, e com disponibilidade para bater perna numa catedral do consumo, dito e feito, fui. Calha que tal local tem várias lojas dedicadas ao calçado desportivo, e eu ando há que séculos augada por um téne amarelo, ou verde, vá, em não havendo do primeiro.
Loja um: népias, só os adidas da moda e mais outros em branquinho, já tenho do género.
Loja dois: meu petit coeur acelera, lá estão eles, os puminhas 'marelos!, yay!, ó senhor, ó senhor, é disto em 38! Não há. Desses aí - modelos coloridos - só vem de 40 para cima. 38 só estes - os sensaborões, consensuais adidas, pumas e outros pretos e azul escuro. Zanguei. Inquiri: então não há isto em colecção de senhora, ou não mandam vir números baixos, ou quê? Não mandam vir, não sabe porquê. Amuei.
Loja três (por acaso logo ao lado): yay! uma prateleira cheia de ténes coloridos!, tan giros!, e há 'marelos!, yay! e entretanto levanto a cabeça e vejo, encimando o expositor em tábua rústico-chique, a palavrinha "MEN". Olha, que caraças. olho para o lado contrário, confiro, é "WOMEN". E é vómito, também. Ele há branquinho, ele há cor-de-rosinha, ele há verde-auguinha, ele há zulinho-bebé, ele há o tal de nude - para pessoas como eu parecerem descalças, e também marelinho, mas clarinho e da pele ralinha da adidas, que ainda por cima anda nos pés de toda a gente (já num quero, pertanto). Cores assim para o vivaço, e que, já agora, não fiquem todas cagadas a uma semana de uso, nadinha.
Quase manifestei, quase birrei, quase chorei.
Ponderei pesquisar internetes por um zingarelho esticador de pés, a ver se atinjo os almejados e não discriminados 40. Mas, em vez disso, fui-me a uma loja online. Daquelas onde certos modelos existem desde o 36 ao 47. Como rondei muito o bicho pretendido, mandaram-me um cupão, nesse dia. E tau, estão a caminho.
Piretes, piretes a rodos para os caralhetes do comércio local e lojas físicas. Hão-de ter muita freguesia, com essas manias. Vocêzes e os outros que só vendem meias com menecos a partir do 41. Nas internetes custam o mesmo e há para todos. Feios.

quinta-feira, 29 de março de 2018

The Cat Diaries (13)

Então e a pinxeja? A menina? A do meio? A bolachinha?
Está óptima, obrigada.
Pronto, era só isto. Não era nada. A coija boa, embora ainda tenha tiques e toques de medo, de vez em quando ainda se solte um instinto primitivo de, vendo-nos a caminhar na sua direcção, dar um pulo e fugir, está um doce que só visto.
Começou, primeiro, por demonstrar excelentes e meritórias qualidades domésticas, desde que descobriu que mantinha é melhor que chão, e se estiver a dita mantinha em cima de superfície fofa, olaré.



Curtindo o fofinho, numa boa

Seguiu apreciando valentemente o quentinho que se liberta daquele objecto estranho a que os humanos chamam radiador (ligado em permanência, junto às caminhas), ou do outro, o melhor amigo do mano, que irradia cá um calorzinho que até se consola.
O primeiro ronrom chegou perto do final do ano passado, em reacção a umas festinhas gostosas. De início, éramos nós a tomar a iniciativa: menina deitada qual odalisca, na sua caminha fofa e macia, e nós a fazer uns afagos (depois de pedir licença, que lá em casa é tudo gente muito educada). E ela gostou. Foi-se habituando, e gostou. Aos poucos fomos alongando as sessões de mimo e, um belo dia, temos ronrom. Não posso jurar, mas tenho quase a certeza que foi com me mate (traidora!, bandida!, vendida!).



Dona do pedaço

Daí em diante a evolução tem sido digna de nota. Se já se demonstrava uma garota muito curiosa, que de quando em vez apanhávamos a espreitar o que estávamos a fazer, passou a fazer aproximações deliberadas, como que pedindo atenção, especialmente a ele (a dengosa!, a serigaita!).

Fazendo o stretch em frente a papás babados

Festas, festas, afasta um pouco, aproxima de novo, festas, festas. Um dia demos com a biscas deitada no sofá, em cima de uma almofada. Quando nos viu saltou para o chão; mas voltou ao mesmo poiso. E começou as rondas: nós sentados, e lá vem ela, um miadito tímido, festas, festas, e dá meia volta. Até ao dia em que salta para cima do sofá quando lá estamos sentados. E nós aos gritos por dentro, soltando um foguetório. Salta para sofá, festas, salta para o chão, vai embora. Mas um dia fica. Julgo que se passou comigo: eu sentada no lugar do costume, ao lado uma almofada (A almofada), e ela salta, sobe para a almofada e aceita, não, pede festas. E deita-se. Ajeita-se e fica. E eu deixo-a ficar. Vai repetindo a rotina, mas só com um de nós no sofá. Um dia, adormece na mufadinha. Neste dia:


Coijamáboa. Muxigata dos papás. Lontrinha que tarda nada está a senhas de racionamento.

E pronto, o resto é história. Entretanto já se decidiu que estar no sofá, entre papá-mamã, não é má ideia, até porque há o dobro das mãos festeiras à disposição. Aliás, já reclama o seu lugar, na sua almofada (A almofada), e todas as noites há sessão de mimo, com muita festa, ronrom, escovadela (e bem precisa, que larga pelo que é uma loucura), e amassar. Também já é frequente ouvi-la ronronar lá de uma das suas caminhas, onde se enrola e adormece, depois de amassar devidamente. E brinca, brinca muito. É uma campeã de bola: seja de papel, alumínio ou corda, faz uns passes, uns dribles, uns remates que é um espanto.

Ferradinha

O único problema é que come como uma condenada. Por gulodice, por não ter mais nada para fazer, por enfado, come, come, come. Já sabe a que horas é o pequeno almoço (um terço de gourmet gold, a dividir entre todos) e reclama se atrasa (o que acontece quando o mano mai'velho demora o passeio matinal). Tem me mate na palma da patinha, e não digo que me tem a mim também porque o blog é meu, e aqui tenho o direito de definir quem sou, e o que sou é uma cabra insensível.

quinta-feira, 22 de março de 2018

The Cat Diaries (12)

Epá, que vergonha: fui aos arquivos e desde Novembro que não dou notícias dos bichanos. Tarda nada ainda começa o boato que os vendi para peles, ou ando a degustar coelho à caçador todos os domingos.
Não, não: descansai, almas inquietas. Confirmo que no news is good news, os putos estão bem. E nós também vamos andando, obrigado por perguntarem.

Começando pelo mai'velho, ainda continua um bocado anti-social, não gosta especialmente que lhe toquem, e ainda olha para nós com um laivo de desprezo. Excepto quando é hora da paparoca, o vendido. Continua a dar as suas voltas pelos logradouros (não há ligação à rua, descansai; e é nestes pastos verdes que vive uma colónia que está muito bem tratada. alguns deles com muitas semelhanças com os nossos, suspeito que são todos filhos do mesmo pai). O magano planta-se à porta da cozinha, de manhã e à tardinha, e aberta esta, lá vai. Tem como poiso preferido uma árvore que vemos da varanda, mas não vira costas a muro ou talude nenhum. É feliz assim, e fica manifestamente impaciente e irritado se está muito tempo fechado em casa. Afinal viveu dois anos na rua, não é em menos de um ano que mudará de hábitos.

No tempo mais frio regrávamos as saídas, porque de início ele não respondia aos chamados e a única solução era deixá-lo lá fora (e lá íamos nós, a sangrar por dentro). Portanto só saía quando vinha a empregada, que lhe podia abrir a porta; quando chegávamos a casa já estava no seu posto de comando, a fazer a sesta.

(sestinha descansada, e só a metro e meio de mamãe!)

Por vontade própria, não sai quando chove: vai à varanda, constata a pluviosidade, olha para cima com ar de q'esta merda, e volta para dentro. No último mês já responde aos chamados, até porque criámos uma rotina: antes de sair de casa, latinha de mousse a dividir pelos três, e o bandidão não quer perder o pequeno almoço. Ele há dias em que, se demora, a Scully vai chamá-lo, a gulosona.

Ando a tentar criar outra rotina, a saber, chego a casa e, além de o cumprimentar, estendo-lhe os dedos. Conforme a reacção faço uma festa, ou não. Se estiver simpático e pelos ajustes, há escovadela, o rapaz não desgosta. Mal manifeste desconforto, pára-se.

Entretanto, e para além de uma paciência de santo para aturar o Max, continua com muito bom feitio. Pensamos que já considera aquela como a sua casa. Adora de paixão o aquecedor, e, volta e meia, em dias especialmente frios, encosta-se ao dito com ar suplicante, mal chegamos a casa. Ok, ok, percebido.

(Fox Mulder e o seu melhor amigo, Ótecepote da Silva)

Já ter a lata de pedinchar, e andar de cauda erguida são muito bons sinais. Embora ainda se amedronte e fuja todo descordenado se entende que estamos demasiado perto. Mas o maior e mais surpreendente sinal de socialização, manifestou-o esta semana. Embora os almofadões onde os criaturos dormem as suas sestas estejam sempre cobertos por mantas polares, e estas sejam regularmente lavadas, decidi esta semana lavar também os almofadões, para aproveitar esta trégua no dilúvio. No mesmo sítio pus um almofadão mêmo, mêmo fofo e jeitoso que comprei no ikea, que cobri com uma das suas mantas. Pá. A cara dele. Eu sentada no sofá, e veio plantar-se à minha frente, sentado no tapete, com o ar de reprovação mais intenso que se imagine. E ainda não se deitou lá.

(olhar de vocês não mandam nada, eu não votei em vocês)

Enfim, devagar, devagarinho. Já ando a sofrer por antecipação com a renovação das vacinas, mas para isso é que se inventou o vet tranquil.

terça-feira, 20 de março de 2018

[ ]



Aquele momento em que começas o dia a responder a um polícia de trânsito, e a rematar a interacção com um "deve ser, deve".
Ou preciso de dormir mais, ou tenho de passar a tomar café antes de sair de casa, ou ando já com um piquinho de demência, ou então não é defeito, é feitio.


[era um gratificado. e eu não aceito lições de trânsito de um mercenário fardado, derivado à minha velha opinião sobre o Estado comercializar serviços de segurança e ordem pública, emprestando a actos privados uma aparência de conformidade legal glaceada de autoridade pública. anyhoo, não o vi sacar de bloco de notas nem tomar nota de nada, o que me poupa a trabalheira de ir estudar se um agente de autoridade em serviço gratificado pode autuar. cheira-me que não. e podendo, we'll always have constituição.]

segunda-feira, 19 de março de 2018

Assessoria on steroids

Mamãe teve a gentileza de me informar que, da próxima vez que pretender trocar de carro, vai comigo. Não foi bem assim, mas adoro um bom e retumbante eufemismo. A conversa nem era sobre carros, mas sobre trânsito; eu constato que mesmo com os violentos aguaceiros da semana passada o pessoal muda de fila de trânsito sem pisca, se encosta, força entradas, e ouço um "quando fores comprar outro carro vou contigo".

Não é preciso muita hermenêutica, apenas conhecer a interlocutora (47 anos de experiência, e devia ser curriculum relevante) para perceber que a) não, não era uma oferta de companhia, para o caso de me sentir sozinha e ignorada num stand; b) não, não era uma oferta de ajuda para um evento a longo prazo e/ou hipotético (o último veículo foi trocado com dez anos, ainda falta um pedaço para este chegar lá); c) e não - esta até poderá ser surpreendente - era uma demonstração de falta de confiança na minha capacidade de entender mecanês transmitido via comercialês.

O que mamãe quis dizer, muito resumidamente: a) tens de trocar de carro, depressinha; b) eu vou contigo, para não voltares a fazer asneira. E a asneira nem é comprar uma viatura automóvel a) acima das minhas possibilidades, que sou brutalmente forreta com carros; b) que não preste, apesar de, até ao presente, ter tido sempre muito azar nos lemons que me calharam; c) escolher uma cor feia. Não. O que senhora minha mãe quer é que eu compre um carro a "sério", por oposição às caixinhas de fósforos por que insisto em me apaixonar. Sim, para mamãe um yaris entra nessa categoria. Para mim representou um compromisso por um carro de "pessoa crescida", ou seja, cansativamente indistinto, banalmente citadino, aborrecidamente prático. O que eu queria, mas queria mesmo, era um Fiat 600! Fofão. Lindão. De cor menta. Não! 'marelo. Não! 'zul cueca. Mas lá está, sou uma pessoa crescida, a casa não tem arrecadação, e preciso de uma bagageira onde caibam as embalagens de skip compradas a 60%, mais o amaciador em promoção, o carrinho de transporte, cangalhada vária, uma ou duas sacas de areia dos bichos, e ainda dê para enfiar as compras da semana. Não podia ser. Fui-me então à toyota, com o coração a arrastar pela calçada; lá chegada, obriguei-me a cortejar o yaya, mas sempre de olhinho grande, cobiçoso, no aygozinho, ai tan giro, ai tan mimosinho, ai tan compactozinho, ai tan fonfon. Enchi-me de força, porque já sou cres-ci-da!, e pronto, tratei do assunto. Saída do strand, ainda fui dar umas miradas tristes na montra em frente, que o opelzinho adam é tan crido, ó, com duas corzinhas, coijinha má-boa. Mas mantive a verticalidade, o propósito: comprei o sacana chato e aborrecente.

E, nem dois anos corridos, já andava a salivar pelo meu antigo smart, que me deu tanto desgosto e despesa. Ou antes, pelo novo smart, ai que 'tá tan mais giro, ai que este é que era. Nem falando do mini, que entretanto transformaram numa banheira sensaborona, e aliás já era caro demais para a popó-forreta. Eu quero é um carro giro. Pronto. Sou veículo-adolescente. Eu quero é um boguinhas, um me-mobile, um besugo ágil e pucanitcho, uma coisa que não seja igual a 2.167 outros estacionados no mesmo piso da superfície comercial.

E agora surge mamãe, que após aquela inusitada interpelação, completou: precisas de um carro sólido, que te proteja. Pânico. Mamãe imagina-me numa banheira, se calhar daquelas de hidromassagem a que se chama suv. De repente sou de novo a chavalita de 15 anos, a argumentar com a progenitora nos provadores de Os Porfírios: não, mãe, eu gosto é disto, não, mãe, esse é colorido demais, não, mãe, o preto usa-se sempre. Ó mãe. Pá. Que chata, pá. Deixa-me 'tar.



quarta-feira, 14 de março de 2018

Aaaaaaaaaaaai a minha vida



Fosse eu pessoa de fé, e já tinha uma fortíssima candidata a santa padroeira: Nossa Senhora da Asneira.
Aliás, mesmo não sendo pessoa creste, e muito menos devota, começo a acreditar que existe esta santinha, e é ela a responsável por tudo, tudo!, o que esta pobre macaca erecta e letrada tem sofrido nos últimos tempos.
Não há condições. R'almente. A uns sai o euromilhões, outros fazem carreira montados em CV que são obras de ficção (e mestrados com umas conclusões escritas pelo senhor que estava no banco do lado no autocarro, aquele senhor que é disléxico com vírgulas mas consegue elaborar um parágrafo onde não diz absolutamente nada e onde encaixa várias palavras de sete e quinhentos), e eu aqui, ó, enterrada em papel, e ora cercada por gente que parece ter saído do casting dos Sopranos, ou acossada pelo gémeo ainda pior do Gordon Gekko, ou então tenho sorte, e apenas me calha um molhinho de Looney Tunes. Ou os chimpazés do 2001, ainda não tenho a certeza.


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Redículas

Sabem aquelas pessoas, já ouviram falar, que têm pacotes de bolachas e snacks tipo twix e toffee crisp nas gavetas do trabalho, e logo em packs económicos de três ou quatro, que já não lhes faltava serem lambaronas ainda são pechinchonas, e depois comem aquilo e guardam os invólucros na mala, para jogar no lixo em casa ou numa papeleira na rua, porque têm vergonha que a empregada da limpeza os veja e pense mal delas? Sabem? Ouviram falar? Ahahahahahahah, pois é.
Não conheço nenhuma.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Post com banda sonora*

*é esta. escuso-me a reproduzir o títalo no títalo do post porque eles andem pedalem aí, e o google e não sei quê, ainda me cai aqui a pandilha, com um not all cyclists, e hoje não me apetece


Sinto-me ofendida. Pior: estou profundamente sentida. Sinto-me sentida, portanto. Magoada, traída, espezinhada.
Eu explico: durante aqueles meses de puro inferno em que duraram as obras nas Avenidas Novas, tempos obscuros que se não levaram a um suicídio em massa em plena hora de ponta, nada levará, eu era daquelas que, em oposição à (passe a redundância) oposição direitolas, defendia com unhas e dentes a construção de ciclovias.
"Ah, ninguém anda de bicicleta em Lisboa, nunca vi", e eu "ó que andam, e havendo condições, mais andarão"; "e agora onde é que a gente estaciona, tiraram-nos o espaço para dar aos ciquelistas!", e eu "estacionam no parque, pagam e não bufam, ou, sendo demasiado sovinas para isso, estacionam na rameira que vos deu à luz, a rua é de todos".
Seguiu-se novo coro de aflitos quando se soube que a Câmara ia gastar numa cena de bicicrétes partilhadas: "Só gastam dinheiro em ilusões, não há ciclistas, nunca os vi!", e isto quando nas Avenidas Novas não faltam oculistas que tratam destes problemas.
Passado mais de um ano, há ciquelistas às paletes, ao fim de semana ainda mais, e as biclas-gira estão sempre numa roda viva. Sucesso, portanto. Yay, pensei eu. Menos um cidadão na estrada ou no metro, que é onde eu me transporto. Sim, sou interesseira.
Até ao dia em que nos vemos ali rés-vés de causar a morte ou sérios ferimentos a um ciquelista. E por culpa dele, o que não me iria acalmar e conciliar o sono.
Já perdi a conta, senhores e senhoras, às vezes em que fiquei com o coração prestes a saltar pela boca. Rodinhas em contra-mão: sim. Ciclos a passar vermelhos: confirmo. Pedalinhos a atravessar a estrada em cima da bicla e dando ao pedal,  às vezes com vermelho para peões: olaré. Se em sítios sem ciclovia já é mau, em locais com essa via + sinais para ciclistas + passadeiras para o mesmo público alvo, é indefensável. Eu sei que o Código não os obriga mas, pá, fazer toda uma artéria a 20 à hora, atrás de uma ciclototó, quando tinha uma cilcovia ali ao lado, e das boas... não. Já apitei a um, o palhaço a lixar o trânsito todo, e a ciclovia, livre, desimpedida, ali a dois metros. O animal ficou muito zangado, e teve oportunidade de mo dizer quando fiquei a par, para o ultrapassar, e lhe disse para ir para a ciclovia, ó palerma, arrancando de seguida e legando-lhe as minhas melhores emissões de combustível fóssil. E depois houve aquele que vinha largado, no passeio, e atravessou pedalando numa passadeira só de peões... eu travei a tempo porque já o tinha debaixo de olho, e não confio no discernimento de ninguém. Levou apitadela, mas ainda me mandou estudar o Código. Sim, à única pessoa em causa que comprovadamente fez o respectivo exame, e passou.
A última foi ontem. Animal devidamente fardado com aquele fato-macaco de lycra, vem na ciclovia, e o meu sinal aberto. Não sei porquê - aliás, sei: não confio no discernimento de ninguém, e os ciquelistas não precisam de um atestado para saber se são daltónicos - mas fiquei com a impressão que não ia parar. Não parou, semáforo de biclas vermelho, vermelhão. Até podia jurá-lo, não se desse o caso de ter olhado, a confirmar: é um sítio que conheço bastante bem, e quando abre o verde para a lateral, está também aberto o vermelho-ciquelista. Graças à minha falta de fé na espécie, ao facto de ir a uns 20/30 à hora, consegui parar, e apitei. Ficou muito zangado, barafustou, e ainda mais se alterou quando lhe fiz o sinal universal de "deves ser ceguinho" (mão aberta a passar em frente aos olhos). Caso lhe batesse fornicava-lhe o fémur, pelo menos. Se ele me batesse, além de ficar todo tortinho ainda me lixava a lateral. Com ou sem razão, eu não me safava de me ser levantado um auto, e aberto um inquérito crime. Inerentes dores de cabeça. Estragos no meu carro? Lá iriam para os danos próprios que eu pago, que esta gente só tem direitos, deveres - carta?; seguro? - nicles.

E é isto. Estou a pensar rever a minha bonomia relativamente ao ciclo-transporte. É que na minha escala de rodo-desastres, estão ali vai não vai de destronar os táxistas; e já ultrapassaram, ó, ao tempo, os peões que atravessam olhando para o telemóvel.
Falta pouco para me plantar em frente a um ministério qualquer, a exigir a terraplanagem das prostitutas das ciclovias, e degredo de todos os praticantes.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

E não nos conhecemos d'ontem

Já é a segunda (ou terceira, já perdi a conta) vez que a minha operadora me liga, para informar que vão premiar a minha fidelidade e longa relação comercial com seis meses de sport tv à borla, basta eu dizer e activam.
Ou tiraram o curso de marketing na Universidade de Alguidares de Cima, ou não querem premiar porra nenhuma, pois não, seus sonsos?